quarta-feira, 18 de julho de 2012

Entre o ontem e o hoje

Entre o ontem e o hoje

O quão incrível é conhecer o passado e o presente de alguém através de algumas páginas?
A escritora inglesa Rosamunde Pilcher sabe muito bem como nos transportar a outra dimensão quando o assunto é reflexão. Em “Os Catadores de Conchas”, sua escrita descritiva e detalha pode até ser um pouco cansativa, mas, se o leitor se entregar, pode se tornar apaixonante. A partir de certo momento, é impossível não se ver preso à realidade de cada personagem, principalmente a da inglesa Penélope Keeling.
Penélope, uma senhora de 64 anos, vive sozinha numa casinha da Inglaterra. Apesar de já sofrer com a idade, mostra-se hábil e encantadoramente feliz. É com seu querido jardim e sua inconfundível simplicidade que mantém uma vida prática e agradável. Entretanto, guarda algo precioso em seu coração, preciosidade esta que muitos, inclusive seus três filhos, desconhecem.
Filha de um famoso pintor já falecido, ela contém histórias e momentos inesquecíveis para contar, não apenas por ser filha de Lawrence Stern, mas por ter vivido durante a guerra, por ter sido mãe jovem, e, principalmente, por conhecer o sentimento que somente os que já se apaixonaram perdidamente conhecem.
São com profundas lembranças e idas ao passado das personagens em meio a variadas experiências atuais, que Rosamunde nos permite conhecer intimamente a senhora Keeling, sua família e amigos. Ao contrário de muitos, a autora surpreende ao conseguir descrever detalhadamente algumas das fraquezas e sentimentos ruins que estão tão presentes na sociedade. 
Uma vez que se conhece Penélope não há como não refletir sobre nossos atos e o redemoinho de emoções e acontecimentos que é nossa vida. “Os Catadores de Conchas”, com suas 697 páginas, conseguem nos impressionar com a habilidade em “desenhar” o ser humano, seus desejos, suas dúvidas, ganâncias e sentimentos.